Além da divulgação científica, evento internacional propiciou que instituição travasse contato com outros centros de pesquisa mundiais

O RCGI participou da COP26, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que neste ano aconteceu oficialmente entre 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. A comitiva que representou a instituição nesse que é um dos encontros mais importantes para discutir o clima do planeta foi composta pelo diretor científico do RCGI, Julio Meneghini; pelo diretor de Inovação e Transferência de Tecnologia, Gustavo Assi, e pela diretora de Recursos Humanos e Liderança, Karen Mascarenhas.

Logo na chegada, o RCGI apresentou seus projetos e também participou do painel de discussões do Technology Driving Transition Global Summit, evento paralelo a COP26 na Universidade de Strathclyde, em Glasgow, entre os dias 1º e 3 de novembro. O encontro foi organizado pelo Net Zero Technology Centre, centro de pesquisa britânico que conta com financiamento público e privado, e reuniu 11 instituições de seis países. Além do próprio Reino Unido, estiveram presentes Brasil, Estados Unidos, Austrália, Canadá e Holanda. “Cada um deles apresentou as tecnologias que estão desenvolvendo para obter a emissão negativa de CO2 e o RCGI foi o único representante brasileiro e latino-americano nesse encontro”, diz Mascarenhas.

De acordo com Assi, na oportunidade o RCGI mostrou como sua cartela de projetos pode contribuir para a redução de emissões de carbono em nosso país. “Falamos sobre o potencial dessas tecnologias de vocação brasileira, desenvolvidas a partir de nossa realidade, tanto onshore, em terra, quanto offshore, no oceano. O Brasil tem grandes chances de se tornar neutro, talvez até mesmo negativo em emissões de carbono, se conseguir integrar seus vários setores industriais. O carbono gerado pela indústria cimentícia, por exemplo, pode ser armazenado pela indústria de petróleo em alto mar”, aponta o pesquisador, que é professor do Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

A recepção foi muito positiva, segundo Assi. “Os projetos do RCGI foram muito bem avaliados pelos seus pares e ficou nítido que nosso trabalho não é inferior ao que outros centros de pesquisa estão fazendo pelo mundo. Jogamos em nível de igualdade com eles”.  Mascarenhas concorda. “Foi uma ótima oportunidade para o RCGI estreitar laços e abrir caminho para futuras parcerias com esses outros centros de pesquisa”, afirma. Cada instituição saiu do encontro paralelo com a missão de preparar um relatório com seus projetos tecnológicos relativos à transição energética. A ideia é reunir essas propostas em um estudo para ser apresentado na COP27, que deve acontecer no ano que vem, no Egito.

O RCGI também marcou presença na programação oficial da COP26. No painel “Supporting the energy transition on the road to net-zero: Its impact to social-economic growth”, Mascarenhas discorreu sobre os desafios de conscientização e percepção pública na transição energética brasileira. “É fundamental criar diálogo entre todos os atores envolvidos na questão climática, como governo, academia, indústria, mídia e sociedade”, defende a especialista, que é vice coordenadora do projeto do RCGI “Percepção social e diplomacia científica nas transições tecnológicas para uma sociedade de baixo carbono”.

Já o painel “The Role of Academies and Science in Climate Change Policy Actions” trouxe palestra ministrada por Assi a respeito do papel fundamental da tecnologia offshore para a transição energética de baixo carbono no Brasil. E coube a Julio Meneghini falar sobre a importância da tecnologia onshore nesse mesmo contexto dentro do painel “Brazil case study – Energy transition as pathways to decarbonization and the NetZero- Challenges and opportunities”. “Nos intervalos desses três painéis concedemos entrevistas que reforçaram a divulgação de nossos projetos e propostas”, conta Mascarenhas.

Meneghini também esteve no painel “Indústria e Natureza”, realizado no dia 9 de novembro no Pavilhão Brasil, espaço oficial do país na COP26, com patrocínio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Na oportunidade, ele apresentou a fala intitulada “RCGI: um Centro de Pesquisa em Engenharia devotado ao desenvolvimento de soluções em NBS, CCU, BECCS, GHG, e Percepção Pública para atacar as causas das mudanças climáticas”. Esse evento foi transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do Ministério do Meio Ambiente, que propiciou a ampla exposição do centro e de seus projetos.

Essa foi a segunda vez que o RCGI participa da COP – a estreia aconteceu em 2019. Em 2021, o evento atraiu o número recorde de 40 mil pessoas ao longo de duas semanas. “A COP26 ganhou muito peso por causa da divulgação em agosto do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial. Esse documento alertou sobre o agravamento da crise climática no mundo”, diz Assi.

Jovens ativistas, do movimento negro e de povos indígenas marcaram presença de forma expressiva na COP26. No caso brasileiro, esses representantes ficaram reunidos no pavilhão Brazil Climate Action Hub, iniciativa das organizações não-governamentais Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto ClimaInfo e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). “Essa movimentação extrapolou o espaço onde estava sediada a COP e conquistou toda a cidade, que abrigou vários eventos paralelos e também manifestações”, relata Mascarenhas.

A especialista aproveitou o evento para aprofundar seus estudos sobre a percepção social sobre a questão climática e gravou vídeos com participantes da COP26, a exemplo da indígena Txai Suruí, única brasileira a discursar na abertura do evento. Assi também fez lives durante a COP26, que foram veiculadas na conta do RCGI no Instagram.  “Já existem ideias para solucionar o problema do aquecimento global. O que precisamos agora é colocá-las em prática e isso depende de vontade política, de negociações e incentivos governamentais. A mudança climática não é problema de um país, mas de todo mundo. E um país que desenvolve tecnologia vai ter acesso ao mercado global”, conclui Assi.