As tecnologias de CCS, objetos de estudo do RCGI, poderão contribuir para reduzir em 14% as emissões relativas à energia até 2050, de acordo com a IEA.

No V Workshop Interno do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), os cientistas ligados aos 45 projetos do portfólio do Centro debateram ideias, identificaram novas possibilidades de interações entre projetos e também discutiram a intersecção entre os objetivos das atividades da instituição e os 17 goals de desenvolvimento sustentável da ONU, instituídos pela Organização das Nações Unidas em 2015. O evento aconteceu no Auditório do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), em São Paulo, nos dias 21 e 22 de agosto.

“As universidades sabem que podem contribuir para os goals, e vice-versa. Há uma ênfase em elaborar indicadores que deem conta de como estamos evoluindo. Os 17 goals da ONU têm 169 indicadores já aceitos. E o caminho tecnológico da CCS [carbono capture and storage], um dos principais objetos de estudo do RCGI, afeta diretamente os gols 7 e 13, que dizem respeito a energia e combate a mudanças climáticas”, observou o engenheiro Oscar Serrate em uma das palestras proferidas durante o encontro. Citando dados da International Energy Agency (IEA), ele afirmou que a CCS poderá contribuir para reduzir em 14% as emissões relativas à energia até 2050.

Oscar Serrate

“Somos mais de 200 pesquisadores no RCGI e sabemos que temos de fazer a diferença. Boa parte dos nossos projetos contribui diretamente com soluções para a redução e mitigação de emissões, em um contexto em que o mundo precisa dessas respostas”, afirmou o diretor científico do Centro, Júlio Meneghini. Ele evocou o recente evento da greve dos caminhoneiros como um exemplo da importância do estudo da participação do gás natural e outras fontes na matriz energética dos transportes no Brasil. “Se o gás fizesse parte da matriz energética dos transportes com mais ênfase, não teria acontecido a greve dos caminhoneiros”, afirmou.

A interação entre os diversos projetos do portfólio da instituição continua sendo um dos objetivos do encontro, que acontece duas vezes ao ano. “É uma oportunidade de interação e sinergia. Temos nos empenhado para reunir as melhores ‘cabeças’, não somente em termos científicos, mas em termos de motivação também”, disse Meneghini no início do encontro. A gerente de liderança e recursos humanos, Karen Mascarenhas, destacou a política de atração de pesquisadores estrangeiros, que já trouxe para o RCGI cientistas de diferentes países, incluindo Irã, Colômbia e Nigéria. E registrou a participação do RCGI em recente encontro promovido pela National Science Foundation (NSF) nos EUA.

Ao contrário dos eventos anteriores, em que a ordem das palestras foi feita por sorteio ou sem uma separação temática, as apresentações deste workshop foram divididas em dez grandes temas, o que facilitou a exposição dos trabalhos e deu mais agilidade ao evento. Diversos resultados parciais foram apresentados, incluindo publicações e dados preliminares oriundos dos experimentos e das pesquisas realizadas pelos cerca de 250 pesquisadores do RCGI.

Os projetos desenvolvidos pelo RCGI ao longo de dois anos a meio de trabalho já resultaram em mais de 60 publicações científicas e quase 50 publicações em conferências e eventos afins, além de três patentes depositadas. De acordo com Meneghini, a contribuição dos projetos do RCGI para os objetivos de desenvolvimento do milênio deverá fazer parte dos relatórios de atividades das equipes daqui para a frente.

Tendência – Além da CCS, uma das soluções já reconhecidas pelo International Panel on Climate Change (IPCC), pelo Parlamento Europeu e por cientistas do mundo todo como cruciais para o combate às mudanças climáticas, a CCU (Carbon Capture Utilization) também é foco de diversos projetos do RCGI. Entre eles o projeto 30, que tem como objetivo a obtenção de produtos de valor agregado a partir da hidrogenação do CO2; o projeto 31, cuja ideia é retirar o CO2 da atmosfera por meio de uma célula de fotocatálise e transformá-lo em um produto orgânico útil para a indústria; ou ainda o projeto 32, que já listou mais de 140 produtos com base em CO2 e deverá focar esforços naqueles que o mercado brasileiro precisa importar, mas que poderiam ser obtidos aqui, como metanol, ureia, ácido acético, ácido fórmico, entre outros.