Com orçamento anual de US$ 7 bi, NSF só financia pesquisa nos EUA, mas pode apoiar parceiros internacionais que colaborem com projetos norte-americanos.

Na última segunda-feira (10/9), o diretor do programa de engenharia da National Science Foundation (NSF), Eduardo A. Misawa, visitou a sede do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), em São Paulo, e falou sobre as iniciativas de financiamento de pesquisas promovidas pelo NSF, com destaque para a área de engenharia. Ex-politécnico, Misawa foi recebido pelo diretor científico do centro, Júlio Meneghini, e falou para uma plateia de cerca de 15 pessoas, entre as quais os professores Cláudio Oller, Suani Teixeira Coelho e Emílio Silva, além da diretora de Recursos Humanos e Liderança, Karen Mascarenhas, do engenheiro Oscar Serrate e de outros interessados no tema.

“A NSF foi criada em 1950 e sua missão é financiar pesquisa básica em todas as áreas das ciências, engenharia e educação, com exceção de pesquisas na área clínica, especificamente ligadas a doenças. O objetivo do nosso trabalho é melhorar o bem-estar das pessoas e a economia do país. Ela é uma agência independente: não estamos ligados a nenhuma missão específica, mas sim ao objetivo de fazer avançar a ciência e treinar a próxima geração de pesquisadores, engenheiros e educadores”, explicou ele.

A instituição tem um orçamento anual entre US$ 6 e US$ 7 bilhões e só financia pesquisa nos Estados Unidos. Mas é possível que uma instituição ou pesquisador de outro país se beneficie do fomento da NSF mediante um projeto colaborativo com instituições norte-americanas. “No caso de financiamento de projetos que incluam colaborações internacionais, damos preferência para aqueles em que a instituição ou pesquisador de outro país faça parte integral do projeto desde o começo, ou seja: o ideal é que o projeto aprovado nos EUA já inclua os parceiros de fora quando for apreciado pelo NSF”, diz o engenheiro.

Há várias modalidades de pesquisa patrocinadas pela NSF: ela apoia estudantes ainda não graduados e professores (modalidade similar a uma iniciação científica); treinamentos em modelos inovadores e interdisciplinares em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês); tem um programa de felloship para estudantes graduados (a única modalidade em que os alunos recebem suporte individual, com bolsa direta); e também programas de suporte à infraestrutura de pesquisa (apoia, por exemplo, parte da estrutura da European Organization for Nuclear Research – CERN), e ainda aviões usados em pesquisas climáticas e navios utilizados em investigações oceanográficas. Mantêm ainda um “nanohub” – espécie de bureau que oferece gratuitamente recursos de modelagem e simulação, utilizados por 1,4 milhão de usuários em 185 instituições no mundo todo. Mais informações no site da NSF.

Em sua palestra de pouco mais de uma hora e meia, Misawa se deteve bastante nos ERC – Engineering Research Centers. O objetivo desses centros é a realização de pesquisa de ponta em ambiente multidisciplinar, com perspectiva de resultados concretos em dez anos: demonstrações, protótipos, algo tangível que demonstre o potencial comercial ou inovador das tecnologias estudadas. “Se os resultados forem demorar mais, então não é o caso de se propor um ERC. Ele também precisa ter uma justificativa para se estabelecer como ERC: ou seja, é preciso que fique bem claro o porquê da organização em um centro de pesquisa, em vez de várias solicitações de financiamento para pequenos projetos.”

Segundo ele, os ERC fazem pesquisas inspiradas em aplicação, o que os diferencia de outros modelos de centros de pesquisa do NSF, como os Centros de Ciência e Tecnologia, a maioria dedicados à pesquisa básica. “Todo ERC tem quatro metas: pesquisa; cultura de inclusão e diversidade; desenvolvimento de força de trabalho para pesquisa e estabelecimento de um ecossistema inovador.”

Há ainda uma modalidade totalmente voltada para parcerias: trata-se do programa Partnerships for International Research and Education (PIRE), que apoia atividades internacionais em todas as áreas financiadas pela NSF. O principal objetivo do PIRE é apoiar projetos de alta qualidade nos quais os avanços em pesquisa e educação não possam ocorrer sem a colaboração internacional. “Ele busca catalisar um nível mais alto de engajamento internacional na comunidade de ciência e engenharia dos EUA”, resume Misawa.

“Em praticamente tudo o que financiamos está presente a visão de que queremos produzir mão de obra capacitada na área de pesquisa, ciência e tecnologia. O mais importante das nossas iniciativas de pesquisa, tanto em engenharia quanto em outras áreas, são os alunos que formamos.”

O diretor científico do RCGI  viu semelhanças entre os ERCs e os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fapesp (Cepids). “Quando o RCGI nasceu, reunimos primeiramente uma equipe pequena que constava de pessoas com quem eu já trabalhara e outras com quem estava travando o primeiro contato, mas que sabíamos ser as pessoas certas para iniciar a iniciativa. Também somos uma equipe multidisciplinar, damos muita importância à multidisciplinaridade e estamos aprendendo a trabalhar juntos”, resumiu ele, ressaltando ainda o peso da internacionalização.

“Estamos recebendo, cada vez mais, aplicações de pesquisadores estrangeiros de diversas origens: indiana, paquistanesa, colombiana, nigeriana, iraniana. Fizemos um mapeamento internacional das instituições com as quais teríamos afinidade: estivemos em Harvard, no MIT, em Stanford, Yale… Estamos empenhados em fomentar a internacionalização e a multidisciplinaridade.”

Após a palestra, Eduardo Misawa visitou o Núcleo de Dinâmica e Fluidos (NDF), o Tanque de provas Numérico (TPN) e o Laboratório de Diagnóstico Avançado de Combustão, todos na Escola Politécnica da USP.