Primeiros dois anos de colaboração, que começam em setembro, devem gerar proposta para inserir o RCGI em uma iniciativa climática internacional liderada pela universidade americana.

O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) foi convidado a integrar uma iniciativa internacional liderada pela Universidade de Princeton, o Andlinger Center for Energy e o Dow Center for Sustainable Engineering Innovation: o projeto Rapid Switch. Seu objetivo principal é analisar os gargalos e as consequências não intencionais que possam surgir durante a transição energética para uma matriz mais limpa, e resolvê-los considerando cada setor econômico e os diferentes contextos regionais. A ideia geral é acelerar os processos de transição energética, investigando as possibilidades mais viáveis que envolvam renováveis.

A colaboração estabelecida pelo RCGI com a Universidade de Princeton tem uma duração inicial de dois anos: de setembro de 2019 agosto de 2021. “O objetivo é possibilitar uma cooperação mais próxima entre as duas instituições para a preparação de uma proposta final de participação do RCGI no projeto Rapid Switch. As atividades propostas neste primeiro momento incluem visitas de três palestrantes do RCGI a Princeton para discutir o projeto, e visitas do professor Eric Larson e outros dois pesquisadores à USP para participação em dois workshops – um por ano, organizados no RCGI. Essas visitas permitirão a interação com estudantes e outros palestrantes e pesquisadores durante palestras, encontros e workshops”, explica a professora Suani Coelho, coordenadora de um dos projetos do RCGI e docente do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE/USP).

O professor Larson é o coordenador do Rapid Switch e já esteve na USP, em outros eventos. Convidado por Suani, ele participou recentemente da Escola de Ciência Avançada para Energias Renováveis de São Paulo, entre julho e agosto de 2018, na Escola Politécnica da USP (Poli/USP).

“A USP tem uma forte relação de colaboração com Princeton e há muito tempo havia a vontade de ter o Brasil participando do Rapid Switch. Agora, com esse primeiro projeto aprovado, vamos fazer uma série de reuniões para elaborar uma proposta robusta de participação. Em outubro, o Larson vem para a ETRI 2019, a Energy Transition Research & Innovation, evento anual que o RCGI faz em conjunto com o Sustainable Gas Innovation (SGI), do Imperial College London”, revela Suani. No ano que vem, uma equipe do RCGI deverá ir a Princeton e à Índia, onde haverá um workshop do projeto.

Instituições como o Indian Institute of Technology Bombay e o Indian Institute of Technology Delhi (Índia); a Tsinghua University (China), e a Carnegie Mellon University (EUA) já estão envolvidas no projeto, que busca expandir-se para países europeus, latino-americanos, asiáticos e africanos. Na visão das instituições que lideram a iniciativa, o Acordo de Paris – que prevê metas de redução de emissões por país na tentativa de mitigar o aquecimento global – não se baseou na compreensão total da escala e do ritmo de transformação industrial necessários para o alcance das metas de mitigação, ou mesmo nas forças sócio econômicas, psicológicas e políticas que, potencialmente, tanto podem limitar quanto adiantar o andamento das mudanças. Daí a necessidade de um projeto que considere essas forças em jogo.

“A proposta deve contribuir fortemente para a internacionalização do RCGI e dar uma visibilidade grande para o nosso trabalho. Ainda não sabemos exatamente com que projeto participaremos do Rapid Switch, mas sabemos que será na linha de energias renováveis”, crê Suani.

A proposta de parceria inclui financiamento de ambas as instituições envolvidas, USP e Universidade de Princeton, em partes praticamente iguais de um total de aproximadamente US$ 44 mil, durante os dois anos.