Assunto foi destaque no VI Workshop Interno do Centro, ocasião em que também foi anunciado um novo programa de pesquisa.

O alinhamento dos 45 projetos do Fapesp Shell Reseach Centre for Gas Innovation (RCGI) aos compromissos de redução de emissões do setor do gás e do petróleo e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável é cada vez mais visível, conforme comprovaram as apresentações realizadas durante o VI Workshop Interno do Centro, realizado nos dias 21 e 22 de março na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), na capital paulista.

Ao abrir a programação, o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, já chamou a atenção para a questão. “É necessário que tenhamos lideranças mundiais muito alinhadas com as questões de mudanças climáticas, e mecanismos bem estabelecidos para compartilhar os interesses comuns”, destacou, lembrando que próxima à década de 2060 será necessário ter uma pegada negativa de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs). “E isso só será alcançado com captura de CO2, que é o principal gás de efeito estufa. Aqui entram as energias renováveis e, mais recentemente, tecnologias como as que nossos cientistas estão pesquisando no RCGI, que permitem gerar energia limpa a partir de combustíveis fósseis”, afirmou.

O engenheiro Oscar Serrate, que vem trabalhando a adesão do RCGI aos objetivos das Nações Unidas nesse aspecto, lembrou que hoje há diversas narrativas sobre o assunto – desde a de Al Gore, que chama a atenção para a evidência dos impactos negativos das mudanças climáticas; até aquela focada na expansão dos fósseis, segundo a qual a mitigação vai dificultar o crescimento econômico. “Para sermos ouvidos, é preciso que falemos a língua dos ODS. É preciso uma narrativa estratégica que possa prover uma ideia concisa do que está sendo feito, e de por que e como isso que está sendo feito se conecta com uma visão positiva de futuro.”

Questões em jogo – Além da questão da sustentabilidade, há a pressão do aumento da demanda por energia no mundo. “Estamos presenciando um aumento da demanda de energia per capita nos países em desenvolvimento, e aí está a grande responsabilidade do RCGI. Só China e Índia representam mais de 25% da população mundial, e o consumo cresce nesses países. Além disso, há o consumo norte-americano de energia, que é muito alto: da ordem de 350 giga jaules per capita ao ano”, destacou Meneghini.

Nesse sentido, reforçou ele, é preciso gerar inovações. “Trata-se de trabalhar em tópicos que têm sucesso de curto, médio e longo prazo. Com uma equipe unida e motivada seremos capazes de ter novas ideias, e traduzi-las em inovação”, acrescentou.

Bons resultados – Durante os dois dias de workshop, foram apresentados os resultados de todos os 46 projetos dos quatro programas: Engenharia, Físico-Química, Políticas de Energia e Economia, e Abatimento de CO2. “Em cada workshop, alguns projetos se destacam mais; no entanto, é importante ressaltar que todos vêm tendo um papel fundamental nesses três anos de atuação do RCGI”, ponderou Meneghini.

Ele citou como exemplos de destaque o projeto 10, que visa otimizar a topologia de juntas labirinto para evitar vazamentos de metano; o projeto 41, que simula escoamentos internos com dinâmica molecular para reduzir perdas de carga em dutos para transporte de CO2, CH4 e Óleo; além do projeto 39, cujo objetivo é desenvolver separadores supersônicos de gases; e do projeto 37, que simula e  otimiza compressores de CO2 e mistura de CO2 e CH4 em condição supercrítica.

Novo programa – O diretor científico do RCGI também anunciou o lançamento de um quinto programa: o de Geofísica, que possui, por enquanto, um único grande projeto com cerca de 60 pesquisadores envolvidos, e coordenado por Bruno Carmo, professora da Poli-USP.

O projeto tem como meta entregar um software aberto e flexível de simulação numérica para a resolução de problemas inversos – temas cada vez mais recorrentes na academia. São situações em que os cientistas têm medidas sobre alguma coisa, mas não sabem exatamente o que ela é, e querem descobrir. Por exemplo: o tamanho e a geometria de um reservatório de óleo e gás – onshore ou offshore. 

Além de pesquisadores, coordenadores e interessados no tema da transição energética, participaram do workshop, também, o coordenador técnico científico da Shell, Alexandre Breda, e a representante do Comitê Executivo da empresa no RCGI, Camila Brandão.