Em palestra no RCGI, executivo da empresa elencou os desafios da transição e reafirmou o papel crucial da CCS para a redução de emissões

Na palestra Powering Progress Together: an industry perspective on energy, innovation and collaboration, realizada em ontem (6/6), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo, Rob Littel, General Manager Gas Separation da Shell, afirmou que 13% da redução de emissões requerida nos acordos climáticos estabelecidos mundialmente deverá vir de CCS (Carbon Capture and Storage). “Entendemos que a CCS é crucial para um mundo sem emissões. E a tecnologia tem um papel crítico nesse processo, uma vez que o seu desenvolvimento acelera a viabilidade comercial das soluções. Sem a CCS, o custo de reduzir emissões é muito alto”, disse Littel.

O evento foi organizado pelo Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e pela Shell, e contou com a presença de Alexandre Breda e Camila Brandão (Shell), além de vários membros da equipe do RCGI, entre os quais os professores Julio Meneghini, Cláudio Oller, Guenther Krieger, Rita Maria Alves, Celma de Oliveira Ribeiro (Poli/USP), Edmilson Moutinho, Hirdan Costa, Suani Coelho (IEE) e Luís Venturi (FFLCH).

Rob Littel, Camila Brandão, Alexandre Breda, Julio Meneghini e Bruno Carmo

Em sua apresentação, Littel deu especial atenção ao armazenamento de carbono por adsorção, em adsorventes sólidos. “Estamos desenvolvendo em parceria com a academia. O próprio RCGI tem projetos nesse sentido. Esperamos poder colocar essa técnica em prática em alguns anos.” 

No início, Littel fez um apanhado da história da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Shell, pontuando a localização atual dos principais centros de P&D da empresa. Segundo ele, a empresa investe 1 bilhão de dólares por ano nessas atividades. “Nós passamos, há algumas décadas, pela transição do carvão para o óleo e o gás. A Shell foi bem-sucedida nesse processo, mas estamos muito atentos a esta outra transição, que está acontecendo agora. E estamos em plena transição”, ressaltou.

Para Júlio Meneghini, diretor científico do RCGI, trata-se de um momento auspicioso para os novos pesquisadores. “Palestras como esta dão aos estudantes a dimensão real de que a transição energética é uma fase da qual eles podem participar. É uma motivação, uma inspiração para quem está começando agora.”

Desafios – Entretanto, os desafios da transição energética são muitos. Entre eles, o aumento da população mundial – e consequentemente da demanda energética – e a eficiência energética da indústria. “Um exemplo trivial: para fazer um smartphone, são emitidos cerca de 81 kg de CO2. Um bilhão de smartphones representam quase duas vezes a emissão de São Paulo hoje”, compara Littel.

De acordo com ele, no processo de transição energética não deve existir uma escolha por esta ou aquela fonte energética e que é preciso saber escolher diferentes tipos de energia para diferentes propósitos. “Óleo e gás, eólica, solar, biocombustíveis, hidrogênio: precisamos de todas elas e todas têm de ser sustentáveis.” Ele pontuou que o etanol produzido no Brasil ainda tem uma pegada carbônica alta e que se o país pudesse reduzi-la teria um imenso diferencial.

Cenários – Littel mostrou alguns cenários futuros que a Shell desenha para o setor de transportes (que hoje representa cerca de 20% das emissões do globo) no contexto de um mundo que precisa reduzir os GEEs. “Não se trata de prever o futuro, mas de ajudar a moldar o olhar para o futuro.”

Segundo alguns desses cenários, o hidrogênio pode vir a ter um papel importante para a aviação e para os veículos pesados de carga (caminhões). A eletricidade também terá um papel bem maior no transporte (veículos de passeio) e a energia eólica pode desempenhar uma função relevante no transporte de carga por navios. “Isso num cenário de emissões zero no setor de transportes, para o ano de 2100. E, mesmo nos cenários mais drásticos de redução de emissões, nota-se que os hidrocarbonetos ainda têm seu papel.”

Ele ressaltou ainda que a Shell tem projetos envolvendo hidrogênio em países como Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos. E que a empresa está olhando para todas as tecnologias de mitigação de emissões existentes. “Estamos muito abertos a novas tecnologias, tais como membranas filtradoras, separação por criogenia… Isso tudo nos interessa. Com o tempo, saberemos o que pode ser mais ou menos viável e em que medida.”

 

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