O objetivo geral deste projeto é o domínio da compreensão da formação e mudança de percepções, atitudes, resistência e outras características subjetivas da população brasileira relacionadas às questões de clima e tecnologias para energia mais limpa, bem como seu desenvolvimento em aplicações associadas a NBS, CCU, CHG e BECCS.

A percepção social sempre foi vista como uma dimensão essencial em várias questões energéticas. No entanto, nas últimas décadas, o setor de energia e os formuladores de políticas, particularmente no setor de O&G, notaram que a percepção social está se tornando um desafio muito maior que pode afetar profundamente nosso futuro energético. A pesquisa em energia está passando por uma grande transição do domínio dos sistemas de energia física para um ambiente de energia mais desafiador, dominado por investigações complexas incluindo as dimensões sociais das questões.

O projeto tem como objetivo adotar as abordagens do estado da arte em ciências sociais de energia que são discutidas principalmente na pesquisa social de captura e armazenamento de carbono (CCS – carbon capture and storage) e fraturamento nos EUA, Reino Unido, Europa, Canadá e Austrália, provendo elementos de inovação tecnológica e científica, utilizando conceitos, métodos e teorias de uma ampla gama de disciplinas em ciências sociais como sociologia, psicologia social, psicologia ambiental, antropologia, economia, política, história e geografia.

EQUIPE

Coordenador do projeto
Sigmar Malvezzi – IP-USP
(CV Lattes)

 

Vice-coordenadora do projeto
Karen Lousie Mascarenhas – IP-USP
(ORCID)

Como principal desafio do projeto, esperamos que as ciências sociais da energia possam fornecer percepções críticas sobre muitos problemas sociais globais e locais relacionados à produção, distribuição e consumo de energia, como a oposição social à transformação da energia e a controvérsia pública sobre as mudanças climáticas.

As aplicações específicas das ciências sociais da energia associadas a NBS, CCU, CHG e BECCS ainda não são exploradas na literatura e são extraídas e justificadas de experiências históricas recentes da indústria de O&G, tanto na produção de recursos não convencionais com tecnologias de hidrofracking quanto na promoção da Captura e Armazenamento de Carbono de C02.

Em ambos os casos e em muitos lugares, inclusive no Brasil, as questões relativas à percepção pública foram pouco estudadas.

Como resultado, a indústria frequentemente foi obrigada a enfrentar aumentos difíceis e intransponíveis na resistência social, local e muitas vezes nacional, às vezes até internacional, atrasando agendas de desenvolvimento ou mesmo gerando moratórias e cancelamentos de projetos em definitivo. Um exemplo, é o projeto de CCS em Barendrecht na Holanda, que foi cancelado devido a imprevistos como a oposição pública e a retirada de apoio do governo anteriormente concedido (Feenstra, Mikunda and Brunsting, 2011; Ashworth et al., 2012).

O projeto proporá elementos tecnologicamente inovadores e avanços científicos por meio de recomendações sobre o estabelecimento de bancos de dados ideais para extrair informações sobre a opinião das pessoas sobre essas tecnologias. Definir as melhores práticas em avaliações da percepção do público em geral. Encontrar formas de dar mais atenção às regiões com projetos ativos, enfatizando os fatores considerados mais importantes pelo público local, e como os resultados reais dos projetos atendem às suas expectativas etc. Em última análise, procurará identificar e construir um indicador social ou parâmetros sociais para subsidiar a modelagem de avaliação integrada (IAM), os cenários econômicos e os fluxos de trabalho jurídico e de padronização, bem como os demais programas do RCGI.

O cumprimento desse amplo objetivo será realizado através dos seguintes objetivos específicos:

(i) Examinar a produção de representações sociais, valores, expectativas e imaginários relacionados às amplas mudanças culturais e comportamentais exigidas pela gestão dos efeitos das mudanças climáticas.

(ii) Examinar modelos quantitativos e qualitativos que possibilitem a compreensão das percepções e expectativas individuais e coletivas sobre tecnologias sustentáveis, voltadas à mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE), visando identificar barreiras e forças potenciais para sua aceitação consistente e rápida. 

(iii) Investigar estruturas analíticas e metodologias para monitorar indicadores de mudança das percepções sociais, expectativas e outros mecanismos comportamentais, que subsidiam a modelagem de avaliação integrada (IAM), os cenários econômicos e os fluxos normativos e jurídicos, bem como os outros programas da RCGI. 

(iv) Identificar os impulsionadores sociais ou psicológicos da velocidade de difusão das tecnologias de mitigação.

(v) Explorar os potenciais impactos das tecnologias no consumo de energia no contexto cultural e comportamental brasileiro.

(vi) Aplicar os indicadores sócio-geográficos para avaliar os aspectos culturais, sociais, demográficos e econômicos das tecnologias de baixo carbono.

(vii) Identificar e mensurar a contribuição do RCG2I e de outras instituições acadêmicas e de pesquisa, por meio de seus programas e projetos, para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC). 

(viii) Estimular a prática da diplomacia científica e da ciência cidadã pelos pesquisadores do RCG2I na promoção dos ODS e dos NDCs. 

(ix) Desenvolver estratégias de advocacy para uma sociedade de baixo carbono, impulsionadas pelo RCGI junto com outros agentes interessados, como ONGs, instituições públicas, indústria, grupos da sociedade civil entre outros. 

(x) Desenvolver novas abordagens de extensão do conhecimento para a promoção de uma sociedade de baixo carbono, envolvendo o interesse público e coletivo, disseminando ciência e advocacy por meio de novos canais, como arte-ciência e programas científicos cidadãos.

(xi) Criar um ambiente de inovação que promova novas tecnologias desenvolvidas no RCGI para serem avaliadas, incentivadas e conduzidas em iniciativas frutíferas com empresas existentes e novas. 

(xii) Disseminar o conhecimento (científico e tecnológico) gerado no RCGI aos diversos públicos associados aos seus programas: desde técnicos e científicos da USP e Shell até o amplo espectro da sociedade.