Trabalho detalha metodologia do sistema de estimativas de emissões do Observatório do Clima, iniciativa brasileira que reúne mais de 40 instituições.

O engenheiro químico David Shiling Tsai, colaborador do projeto 28 do RCGI, é um dos pesquisadores que assinam o artigo SEEG initiative estimates of Brazilian greenhouse gas emissions from 1970 to 2015, publicado no último dia 29 no periódico Scientific Data, do grupo Nature. Tsai é funcionário do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), organização membro do Observatório do Clima (OC).

“A ideia inicial do System for Estimating Greenhouse Gas Emissions, SEEG, era reproduzir os inventários oficiais de emissões brasileiras para disponibilizar os dados de forma amigável para o usuário. Mas acabamos indo além das estimativas oficiais. Agregamos informações adicionais e conseguimos também exibir os dados de emissões por unidade da federação, que não estão disponíveis nas estimativas feitas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações”, diz Tsai.

Além disso, diz o engenheiro, os dados do SEEG cobrem um período maior de tempo em comparação ao sistema oficial de mensuração de emissões do Ministério, o Sirene, que contabiliza emissões entre 1990 e 2015. Segundo ele, o próximo passo natural do trabalho seria a desagregação desses dados por municípios. “Estamos buscando financiamento para essa nova etapa.”

Aluno de graduação em geografia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), Tsai procurou o professor Luis Antônio Bittar Venturi, coordenador do projeto 28, para orientá-lo em seu trabalho de conclusão de curso.

“Ele vai agregar muito ao projeto e a todo o RCGI, pois esse artigo do qual ele participa faz uma análise da evolução das emissões de GEEs no Brasil inteiro num período de 46 anos, ou seja, são dados que podem subsidiar vários trabalhos do RCGI. Para o projeto 28, como engenheiro químico, ele vai agregar informações específicas sobre emissões, pois essa não é nossa expertise, propriamente: saber o que cada fonte de energia emite, e qual é o impacto disso.”

Segundo Venturi, Tsai está formatando um projeto em que vai utilizar uma ferramenta que a equipe do projeto 28 acaba de criar e já é objeto de um registro de patente: um método de gerenciamento de fenômenos urbanos. “Ganhamos de todos os lados com a vinda do Tsai para o RCGI”, resume.