Participantes demonstraram interesse na proposta e questionaram sobre a viabilidade econômica da obtenção de hidrogênio a partir desta matéria-prima.

O professor Bruno Carmo, vice-diretor científico do FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI), acaba de participar da 22ª World Hydrogen Energy Conference (WHEC). Representando o RCGI, Carmo fez uma palestra sobre produção de hidrogênio a partir da vinhaça da cana-de-açúcar com o uso de energia solar concentrada. A WHEC aconteceu de 17 a 22 de junho, no Rio de Janeiro, mas os participantes se deslocaram para o interior de São Paulo para uma visita técnica.

“Fizemos uma visita técnica às instalações da Raízen, em Piracicaba (SP), onde há plantas de etanol de primeira e segunda geração, e ainda uma termelétrica de cogeração em que a empresa usa bagaço de cana como combustível”, disse o pesquisador, que proferiu sua palestra no dia 22, na sede da empresa durante o workshop Biomass for Hydrogen Production.

“O tema sobre o qual falei faz referência aos projetos do RCGI, principalmente ao projeto 27, que trata sobre as perspectivas de contribuição do biometano para aumentar a oferta de gás natural no país; ao 16, que estuda o uso de um sistema híbrido solar-gás para fazer a reforma a vapor de gás natural; e ao 39, que busca otimizar a separação e captura do CO2 por meio de um separador supersônico”, explica ele.

Segundo o pesquisador, a apresentação foi muito bem recebida e vários participantes fizeram perguntas. A viabilidade econômica da obtenção de hidrogênio a partir de vinhaça foi um dos questionamentos encaminhados. “Sabemos que algumas etapas são plenamente viáveis, como a obtenção de biogás a partir da vinhaça. Para purificar esse biogás e transformá-lo em biometano, sugerimos métodos mais eficientes do que o uso das tradicionais membranas e torres de amina, por exemplo. Mas a etapa final, de obtenção do hidrogênio, ainda precisa se provar viável economicamente.”

Solar – Um dos processos mais comuns de síntese do gás natural é a chamada reforma a vapor, na qual se realiza uma reação química de vapor de água com o gás metano (CH4). Esse processo produz dois gases (chamados gases de síntese, ou syngas): CO e H2 (monóxido de carbono e hidrogênio). Na palestra, Carmo propôs o uso da energia solar concentrada para a realização da reforma a vapor do metano, conforme experimento que vem sendo realizado pelo professor José Roberto Simões Moreira, do Laboratório de Sistemas Energéticos Alternativos (SISEA) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).  “Na reforma a vapor, são necessárias temperaturas muito altas e, normalmente, isso se faz pela queima de uma parte do gás. Em vez de queimar gás, usaríamos a energia solar concentrada. Essa alternativa acaba inserindo mais energia solar no mix desse processo.”

Para conceber sua apresentação, Bruno contou com o apoio dos colegas Suani Teixeira, Marilin Mariano, Vanessa Garcilasso, Breno Avancini e José Roberto Simões-Moreira. Entre as instituições participantes do evento estavam o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), a Coppe/UFRJ, a Toyota Motor Corporation, a AVL South America, a Hytron, a Mercedes-Benz do Brasil e a Raízen.