Edmilson Moutinho dos Santos, coordenador do programa de Políticas de Energia e Economia do RCGI, concede longa entrevista ao jornal espanhol.

O jornal El País desta segunda (28/6) publicou uma entrevista com o professor Edmilson Moutinho dos Santos sobre a crise desencadeada pela greve dos caminhoneiros, que já dura nove dias. Moutinho é coordenador do Programa de Políticas de Energia e Economia do FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e docente do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP). Clique aqui para acessar a entrevista.

No texto, Moutinho afirma que não há uma solução imediata e de efeito definitivo no curto prazo para a crise. Diante disso, defende que no âmbito da máquina estatal apenas a Petrobras teria o corpo técnico e a inteligência para apresentar soluções de curto prazo.

“Dada a dimensão da crise e a completa falta de articulação política dos demais agentes estatais — e as limitações ainda maiores de todos os demais stakeholders —, soluções parciais de curto prazo apenas podem ser obtidas através da Petrobras”, disse o docente ao jornal espanhol.

O economista admitiu que, no momento, não há como contar com a máquina Petrobras em sua melhor forma. “A empresa ainda cambaleia. Mas a história, mais uma vez, se repete: o Brasil necessita urgentemente de ‘mais Petrobras.’” Para ele, neste momento crítico, há de se pensar em soluções de curto prazo, que passarão quase necessariamente por ‘mais Petrobras’ e, também, em objetivos de médio e longo prazos: de reestruturações de mercado, diversificação de agentes econômicos, criação de concorrência, etc. E tudo isso representa ‘menos Petrobras’.

“Há, portanto, conflitos de interesse a serem geridos nos atuais momentos de tomadas de decisão. Lembrar que o “mais Petrobras” salvador do curto prazo levantará novamente as mesmas forças nacionalistas que tendem a se opor ao “menos Petrobras” de médio e longo prazo.”